Esta receita de caruru segue a versão baiana: quiabo picado miúdo, cozido no azeite de dendê com camarão seco, amendoim e castanha-de-caju moídos. O resultado é um creme espesso, alaranjado, que acompanha arroz branco, vatapá e acarajé. Para a história do prato, veja o que é caruru.
O caruru tem raiz africana e chegou à Bahia com os povos escravizados, que adaptaram ao quiabo e ao dendê técnicas de cozidos espessados com sementes moídas. No candomblé, é a comida oferecida aos Ibejis, os orixás gêmeos, e o "caruru de Cosme e Damião", em setembro, reúne famílias inteiras em Salvador. Em novembro, perto do Dia da Consciência Negra, o prato volta às mesas como parte da memória da culinária afro-brasileira.
Dois ingredientes pedem atenção. O camarão seco é muito salgado: deixe de molho e troque a água duas vezes antes de usar, e só prove o sal no fim. O quiabo solta baba quando cortado; lave e seque bem antes de picar, e use o suco de limão durante o cozimento. A baba não some de todo, e nem deve: é ela que dá liga ao caruru.
O azeite de dendê entra no começo, para refogar, e um fio no fim, para perfumar. Prefira o dendê de cor laranja-escura e cheiro marcante; o refinado tem menos sabor. Na receita de caruru tradicional há também quem acrescente gengibre e pimenta-malagueta; aqui vão como opcionais.
Os valores nutricionais são estimativas por porção, com base na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO/Unicamp). O sódio depende de quanto sal o camarão perdeu no molho.